Catarina Osorio de Castro – Devagar
Catarina Osorio de Castro – Devagar
Catarina Osorio de Castro – Devagar
Catarina Osorio de Castro – Devagar
Catarina Osorio de Castro – Devagar
Catarina Osorio de Castro – Devagar
Catarina Osorio de Castro – Devagar
Catarina Osorio de Castro – Devagar
Catarina Osorio de Castro – Devagar
Catarina Osorio de Castro – Devagar
Catarina Osorio de Castro – Devagar
Catarina Osorio de Castro – Devagar
Catarina Osorio de Castro – Devagar
Catarina Osorio de Castro – Devagar
Catarina Osorio de Castro – Devagar
Catarina Osorio de Castro – Devagar
Catarina Osorio de Castro – Devagar
Catarina Osorio de Castro – Devagar
Catarina Osorio de Castro – Devagar
Catarina Osorio de Castro – Devagar
Catarina Osorio de Castro – Devagar
Catarina Osorio de Castro – Devagar
Catarina Osorio de Castro – Devagar
Catarina Osorio de Castro – Devagar
Catarina Osorio de Castro – Devagar

Devagar

Olha calmamente para as coisas e descobre como se forma a espuma no mar, com que rapidez se transforma outra vez em água, como reflete a luz do sol, de que cor é? Amanhã encontra outro mar, como se forma a espuma nesse mar?

Sopra um vento de dia de tempestade e lembra-me o mar que naveguei outrora com o meu pai. Uma luz de outono e os barcos balanceando nas ondas brilhantes.

Para esse momento e torna-o eternidade.

Na continuidade dos dias, observo atentamente o agora, os pequenos gestos das coisas, o sol como toca essas coisas, o desenho das formas, das sombras. A pele e a textura do corpo, da pedra, da madeira, da água, contam uma história, da passagem lenta do tempo num ciclo que amanhã se repete, mas nunca igual. Pessoas íntimas e paisagens pessoais parecem tornar-se eternas, como se o tempo fosse outro.

O tempo é o que nós quisermos que as coisas sejam.

Observa como as formas se repetem na natureza e como o Homem as revê no seu corpo, nas coisas que cria e como nos transformamos constantemente, no fundo somos todos o mesmo.

Coleciono coisas próximas, momentos íntimos, aproprio-me do que não é meu e é para mim especial, com esses fragmentos construo uma realidade, a minha.

Catarina Osório de Castro

 

 

Slowly

Look quietly to things and discover how the sea foam is formed, how quickly it turns into water again, how does the sunlight reflect, what colour does it have?
Tomorrow go try and find another sea, how is the sea foam formed in that sea?

A storm day wind blows and reminds me of the sea that I have once before sailed with my father. An autumn light and the boats swaying on shiny waves.

Freeze that moment and turn it into eternity.

As the days go by, I carefully observe the “present moment”, the small gestures of things, how the sun touches these things, the design of the shapes, the shadows. The skin and the texture of a body, a stone, wood, water, tell a story, the slow passing of time in a cycle which tomorrow will repeat, but that is never the same. Intimate people and personal landscapes seem to become eternal, as if they were from another time.

Time is what we want things to be.

Watch how the shapes keep being repeated in nature and how man identifies them in its own body, in the things he creates, and how we can constantly transform ourselves, deep inside we’re all the same.

I collect meaningful things, intimate moments, I collect what is not mine but means something for me, with these fragments I build a reality, my own.

Watch how beautiful the foam is.

Catarina Osório de Castro

Devagar

Catarina Osório de Castro realiza no Módulo a sua primeira exposição individual com a apresentação do trabalho “Devagar”. O conjunto de imagens fotográficas a cores, de formato quadrado e dimensões variáveis, revelam um processo de investigação visual no qual a autora desmonta o espaço físico, público e privado, nos seus elementos primordiais e nos seus detalhes significativos.

As formas geométricas elementares aparecem regularmente como que num esforço de organizar o espaço e de lhe conferir significado. Pressentimos em cada fotografia a suspensão do tempo e o movimento determinado de aproximação ao assunto, com o objectivo de capturar a sua essência.

A luz solar contrastante e as sombras profundas participam também nesse processo de simplificação de formas. Elementos tridimensionais restringem-se aos seus correspondentes bidimensionais: um maciço rochoso numa praia e um monumento funerário piramidal são convertidos em triângulos…

Os elementos vegetais também surgem recorrentemente. À possibilidade de observação de uma árvore inteira, a artista contrapõe imagens que resultam de um duplo processo de observação cirúrgico: troncos de árvore seccionados revelam as suas formas elementares e permitem uma observação do seu interior, como que a procurar a sua intimidade ao mesmo tempo que mostram, nos seus anéis, o tempo longo do seu crescimento.

A oscilação entre espaço público e privado é diminuída pela construção de uma intimidade nos lugares públicos. O gesto de aproximação aos assuntos e a observação demorada e meticulosa é o método preferido pela artista para a elaboração das suas fotografias.

Também ao nível das formas assistimos a uma oscilação entre pólos. A presença recorrente da água, em diversos contextos e com diferentes plasticidades, introduz uma dimensão de fluidez e acentua a dimensão melancólica e poética do trabalho: um edredon que escorre para o chão, o cabelo de uma amiga ou a superfície ondulante de uma mesa de pedra…

A montagem da exposição, com imagens de dimensões variáveis e colocadas a diferentes alturas, convidam o visitante a uma deambulação pelo espaço da galeria, com movimentos de maior ou menor aproximação às imagens. Estas deslocações, em certa medida, replicam o procedimento da fotógrafa no momento da criação das imagens. Revelam também a sua surpresa perante o mundo que a rodeia e o encantamento que motiva a construção deste diário visual.

Bruno Pelletier Sequeira